Flash
Em 2008 o Flash era o padrão para assistir vídeos na Internet e ele estava instalado em 98% dos navegadores desktop. Hoje ele é apenas uma lembrança. O que aconteceu?
Você está perdoado se não souber o que foi o Flash, já que faz tempo que ele deixou de existir. Mas ele foi muito importante para a Web.
Tudo começou em maio de 1993 quando surgiu uma empresa chamada FutureWave, em San Diego, na California. O foco deles eram os chamados "pen computers", computadores onde você podia escrever na tela usando uma caneta stylus. Eles não tiveram sucesso e foram em outra direção, em 1995 criaram um software que viria a ser chamado de FutureSplash, que permitia criar animações para a web usando gráficos vetoriais. Isso permitia criar arquivos pequenos, o que era bom numa época em que as conexões eram muito lentas.
Logo o FutureSplash fez sucesso, sendo utilizado por grandes sites. Em dezembro de 1996 a empresa foi comprada pela Macromedia, e seu produto passaria a se chamar Macromedia Flash.
A partir dai, o céu passaria a ser o limite. Em 2000 seria criado o Actionscript, o que permitiria tornar o Flash uma plataforma de jogos e vídeo. Como o HTML naquela época não tinha suporte a vídeo, o plugin do Flash era praticamente obrigatório.
Em abril de 2005 a Adobe compraria a Macromedia por 3,4 bilhões de dólares. No mesmo ano seria criado o Youtube, que utilizaria o Flash para exibir vídeos. Todos os sites de grandes empresas tinham animações em Flash, inclusive existiam sites inteiros feitos com ele. Milhões de sites utilizavam Flash e 1 bilhão de usuários tinha o plugin em seu navegador.
Com tanto sucesso, como o Flash deixou de existir? Respondendo com apenas uma palavra, a resposta seria iPhone.
Quando foi lançado em 2007, o iPhone foi uma revolução. Mas ele não suportaria o Flash. Os motivos? Ele não foi pensado para dispositivos móveis, gastava muita bateria, era lento e tinha sérios problemas de segurança. Isso causou polêmica. Em 2010 o próprio Steve Jobs fez uma carta aberta com 1700 palavras, detalhando todos os motivos pelos quais bloqueava o Flash em sua plataforma.
O Flash não era suportado de forma nativa pelos navegadores. Como o conteúdo era executado por um plugin, era suscetível a invasões. O Flash costumava ser alvo de ataques de phishing e malware. Não era um padrão aberto, era lento e como todo o conteúdo do site ficava dentro de um arquivo, não era possível indexar o seu conteúdo, o que era ruim para o SEO do site. Os dias do Flash estavam contados...
A partir dai, foi ladeira abaixo para o Flash. O acesso a Internet por dispositivos móveis não parava de crescer, e com a chegada do HTML 5 em 2008 e a popularização do CSS 3, que permitia animações e transições sem a necessidade de plugins, o Flash perdeu espaço rapidamente. Em 2017 o Google informou que o número de visitas para sites com Flash havia caído de 80% para 17% e a Adobe anunciaria que o Flash seria descontinuado em 31 de dezembro de 2020.
Antes do Flash, a Internet era estática. Com o Flash ela se tornou colorida, caótica e barulhenta. Com o seu fim, chegamos na era atual, com tecnologias mais seguras e compatíveis com dispositivos móveis.



