A máquina do ano
O IBM PC de 1982
A máquina do ano. Era desta forma que a revista Time se referia ao IBM PC em 26 de dezembro de 1982.
Desde 1927 a revista americana Time tem uma tradição de lançar uma revista para homenagear a pessoa do ano. O primeiro foi o aviador Charles Lindbergh e desde então muitos presidentes, empresários e celebridades já passaram por suas capas. Mas em 1982 foi a única vez que uma máquina foi o tema de capa.
Os editores da Time tiveram muito trabalho para fazer essa escolha. Candidatos como Ronald Reagan e Margareth Tatcher ficaram pelo caminho. Quando computadores foram o tema escolhido, se pensou em colocar Steve Jobs e Steve Wozniak na capa. Mas o enorme sucesso do IBM PC levou a uma mudança de planos. Uma máquina seria o homenageado do ano.
A maior influência do ano, para o bem ou para o mal, não era um homem. Era uma máquina.
Computadores pessoais não eram algo novo, mas era algo restrito a entusiastas. Tivemos o Altair 8800 em 1975 e na sequência vieram outros como o Apple II, Commodore PET 2001 e o Radio Shack TRS-80, o primeiro computador pessoal pronto para uso.
Mas foi o IBM PC, lançado no ano anterior, que definiu o padrão que seria seguido dai em diante.
Naquela época, a indústria de computadores era composta pela Apple, Commodore, IBM, Sinclair, entre outras empresas de menor porte. Destes nomes, apenas a Apple chegou ao nossos dias fabricando computadores, apesar de hoje não ser o seu principal ramo de atividade.
É interessante ver como a revista imaginava o futuro. Ela previa que o potencial do computador poderia ser multiplicado se eles fizessem parte de uma rede. Mas no presente, os computadores tinham uma presença limitada nos lares norte americanos. Em 1980 o número de computadores vendidos era 724 mil. Na época em que a revista foi lançada este número já era de 3 milhões. Se estimava que mais de 5 milhões de computadores pessoais estavam em uso.
Muitos questionavam qual seria o impacto que os computadores teriam em nossas vidas. As pessoas ficariam mais inteligentes? O ensino tradicional se tornaria obsoleto? Eram essas as perguntas que se fazia.
Uma pesquisa citada pela revista afirmava que 80% dos americanos achavam que no futuro os computadores seriam tão comuns quando televisões ou máquinas de lavar. O que eles não imaginavam é que hoje os computadores cabem no bolso.
Computadores começariam a chegar nas casas e escritórios quando surgiram as planilhas eletrônicas. O VisiCalc foi o primeiro killer app da história. Logo chegariam outros aplicativos que fariam história, como o WordStar e o Dbase.
O padrão aberto criado pela IBM faria com que nos anos seguintes empresas copiassem o seu produto, inundando o mercado com milhões de computadores e tirando a IBM do mercado que ela criou.
No final de 2024 os principais fabricantes de computadores pessoais eram a Lenovo e a HP, com quase metade das vendas, seguidas pela Dell e Apple. Ao todo, mais de 186 milhões de computadores foram vendidos este ano. Este mercado movimentou mais de 212 bilhões de dólares este ano.



